Parto Humanizado Hospitalar
Relato da Marina Taraia Nunes

Relato da Marina Taraia Nunes

A gente tem mania de querer antecipar as coisas, de fazer tudo no nosso tempo sem respeitar o tempo e o momento do outro. Com ele, aprendi e senti na pele o que é ter que esperar e respeitar. Porque era o melhor pra ele, porque era o melhor pra nós. Completamos 40 semanas no domingo, dia 05 de Maio e tiramos essa foto, foto que eu queria tirar faz tempo e nunca tínhamos conseguido parar pra tirar. Depois disso avisei o Antônio que agora ele já tava liberado pra nascer e daí, domingo antes de dormir, perdi o tampão. Imagina a alegria? Vai nascer! Está chegando a hora! Quase não dormi essa noite, tamanha ansiedade… Antônio continuava fazendo as estripulias na pança e eu encanada porque dizem – dizem – que eles ficam mais quietos quando está chegando a hora. Levantei na segunda-feira (06 de Maio) e senti um pouco de líquido descendo, vi que veio junto com um pouco de sangue clarinho, tirei foto e mandei pra doula – ok, minha doula já havia dito que era normal já que estávamos perdendo o tampão – fui viver o meu dia. Exercícios na bola, descanso, mais tampão, mais líquido, mais sanguinho. Zero contrações. Quase zero dores. Comecei a reparar que o sangue que descia vinha sempre separado do líquido e desconfiei de bolsa rota, como tinha consulta com as minhas médicas (@coletivonascer) na manhã seguinte e sabia que poderia esperar (INFORMAÇÃO É TUDO.) – visto que o líquido que saía vinha em pequenas quantidades – resolvemos esperar. 

Na manhã de terça-feira (07 de Maio) mais líquido e mais sangue, tirei foto e mandei pra minha doula, ela confirmou que aquilo parecia bolsa rota mesmo. Chegamos na consulta e relatei tudo para as meninas, fizemos um teste para medir o PH e foi confirmado que a bolsa havia rompido. Como ali já eram mais ou menos umas 24h de bolsa rota, o protocolo é internar para administrar antibióticos e evitar infecções… Saímos de lá e fomos almoçar, levar os cachorros pra creche e depois fomos para o hospital. Minha reação: meu deus, tá acontecendo mesmo, tá perto. Dizia repetidamente pro Rodrigo: “mor, tem noção que vamos entrar no hospital com bebê na barriga e agora só saímos de lá com ele no colo?”… Chegamos no São Luiz e a Cibele (@cibmacedo) do coletivo estava lá para nos receber e nos orientar sobre os próximos passos, ela acompanhou toda minha admissão e – pra minha sorte – me salvou de um toque desnecessário do médico que estava de plantão (ele não pareceu ter gostado muito disso). Ela me perguntou se eu queria começar a indução nesse dia, eu disse que não, que preferia aguardar e começar na quarta com as induções naturais antes de administrar remédios. Um tempo depois ela me disse que a equipe achava melhor começar as induções naturais naquela noite mesmo. Internação liberada, fomos para o quarto e ficamos esperando a Cibele subir pra me examinar, ela subiu e examinou (01 de dilatação), nessa hora murchei e pensei o tanto que ia demorar, estava apavorada com a possibilidade de ter que induzir com remédios. Ela fez uma massagem para preparação do colo com óleo de prímula, conversamos um pouco e ela foi ver outra paciente, voltou pra se despedir só. Chamamos a @thaisolardi para fazer acupuntura e logo depois que ela foi embora, tomei o óleo de rícino (importante dizer que tudo isso foi feito com orientação e acompanhamento de uma equipe médica gigante, não façam isso sem orientação). Pronto. Como são métodos naturais sabemos que pode demorar bastante. Vou dormir, preciso descansar porque amanhã vai ser tenso.

Duas horas depois de ter tomado o óleo – eram exatamente 00:00 da quarta-feira (08 de Maio) – dor de barriga! Muita! Maldito rícino, se amanhã elas me disserem pra tomar de novo eu não vou tomar! Que dor! Fui uma e duas e três e quatro vezes no banheiro em menos de meia hora… Mas daí percebi que aquela dor estava estranha, chamei o @nunesrodrigo83, mor, acho que to com contração, você pode cronometrar? Eu estava certa. Contrações de 02 em 02min, com duração de 30 a 40s, avisamos a @malurisi e ela pediu pra cronometrar por uma hora e mandar pra ela, mas ela estranhou o tempo e meia hora depois já avisou que estava vindo, pensei: graças a Deus, to com muita dor e ela vai ajudar. As contrações continuavam, fui pro chuveiro, MEU DEUS QUE ALÍVIO. Malu chegou, ficou um pouco comigo e daí as enfermeiras do hospital precisavam aplicar mais antibiótico e fazer o cardiotoco pra ver como Antônio estava. Saí do chuveiro, cardiotoco ok, toque – 1,5 de dilatação. – Oi? Das 20h até agora quase duas/três da manhã (não me lembro dos horários, Rodrigo que me conta todo dia) e avançou só isso? Não é possível. Quero analgesia, não vou aguentar. Malu vem com massagens, cheirinhos mágicos, óleos, conversa calma. Rodrigo vem com amor, carinhos, olho no olho, olhar de entrega e de segurança de que eu estava no caminho certo. Chuveiro de novo, mais cheirinhos, mais massagens, fica de cócoras, de joelho, senta no banquinho, sai do chuveiro. Passou um tempo e precisávamos repetir o cardiotoco, repetimos e enquanto eles tentavam fingir que estava tudo ok, percebi que os batimentos do Antônio ficavam abaixo de 100 nas contrações, o que eu sabia que não era legal. Nesse momento veio o pavor e pedi pela cesárea. – Eu quero cesárea. To com medo! Pelo amor de deus, tirem ele daqui, não me deixem perder meu filho. Nunca na vida senti tanto medo quanto naqueles minutos de desespero. Mudei de posição e os batimentos melhoram. Mesmo assim, chamamos a Juliana do @coletivonascer e logo ela chegou… 

Quando a Ju (@julianafreitas.obstetriz) chegou (por volta de uma 04h eu acho) eu ainda estava na pira da cesárea, do desespero e embora o Ro e a Malu tivessem conseguido me acalmar muito e me passar confiança, eu ainda estava com muito medo de acontecer algo. A Ju me examinou e pronto: 6 de dilatação. Nunca na vida palavras me acalmaram tanto quanto aquelas. Era real e estava acontecendo, meu corpo estava respondendo aos estímulos, eu estava começando a sentir vontade de fazer força – embora aquele ainda não fosse o momento – meu filho estava bem e EU IA PARIR. Liberaram a sala de parto e lá fomos nós… Cheguei na sala sozinha porque a equipe e o Ro estavam se trocando, de repente uma vontade louca de fazer força. O nosso corpo sabe, a natureza é sábia. Entre uma contração e outra eles foram chegando, primeiro o Ro, depois a Malu, depois a Ju, eu fui me sentindo segura, amparada, a minha turma tava ali. Sem eles, parecia que eu estava lá há uma eternidade. Mais uma contração e mais uma força, sangue, bastante sangue. A Ju pediu para examinar novamente e daí outra frase que soou como música: dilatação total. O tempo entre 6 e 10 não foi nem de uma hora. De novo: era real, meu filho estava pronto, eu ia parir. Me ofereceram a banheira para alívio da dor e aceitei na hora. As contrações vinham, a vontade era de fazer força e gritar e eu gritava. Elas iam embora e eu lembrava de respirar. Em certo momento a Ju me disse que depois da próxima contração, se ele não nascesse eu ia ter que sair da banheira, porque não estávamos conseguindo ouvir o coração do Antônio devido à minha posição. Me pediram pra sentir a cabecinha dele e isso foi como uma injeção de energia pra mim, a contração veio e, seguindo o que a Malu me disse pra fazer, eu senti ela com toda a intensidade. A dor, a vontade de parir, de cheirar meu nenê, de pegar meu nenê no colo, tudo estava focado ali, naquela contração. De repente eu sinto arder, muito. O tal do círculo de fogo (a sensação é que está rasgando) e sinto sair algo, e depois mais um pouco e de repente sinto Antônio escorregando. 

A Ju recebe meu filho e passa pra mim. Ali nada mais importa, só ele. Olhos grandes e abertos já embaixo d’água, tiramos ele de lá e em pouco segundos estava chorando. Era real, ele nasceu. Eu pari. Eu renasci. Antônio é minha cura, até hoje tem cheiro de vida, de renovação. 

Antônio chegou nas suas 40semanas e 3 dias, com 3250kgs e 49,5cm, num parto natural, humanizado e na água. Foram mais ou menos 5h de trabalho de parto, 1h de fase latente, 3h30 de TP ativo, uns 30min de expulsivo. A pediatra, a fotógrafa e a GO chegaram quando Antônio já estava no meu colo, todas felizes, como um parto tem que ser.

Obrigada equipe, vocês são fodas!

@coletivonascer

@malurisi

@thaisolardi

@gravidamente

Obrigada @nunesrodrigo83 você me apoiou em todo o processo e essa conquista é nossa, nosso menino está aqui e é real.

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