Parto Humanizado Hospitalar
Relato de Parto da Carol Pinheiro

Relato de Parto da Carol Pinheiro

Alice nasceu de um parto humanizado.

Sabíamos exatamente o caminho que percorreríamos até ela chegar, fizemos tudo o que tínhamos planejado fazer em casa (massagem, banho relaxante, respiração, spinning baby…) e de mãos dadas com a Doula fomos para o hospital. Cheguei no hospital com 9 cm de dilatação e a Cabeça da Alice super encaixada.

Na posição que eu escolhi para fazer força e para ela nascer, formou-se uma roda de mulheres no chão: eu, a médica, a enfermeira obstétrica e a Doula… o @ppsimo ficou atras de mim.

Só tínhamos a gente na sala, com luz baixa ao som de mantras (músicas que eu havia escolhido ao longo da gravidez), a médica e a enfermeira só assistindo o que estava acontecendo, dançando, cantando e me dizendo como eu estava indo bem. O Papai me sustentava de cócoras toda vez que a dor vinha e a Doula me segurava pela frente e entre um intervalo e outro das contrações me dava um abraço e me embalava deliciosamente.

Com tanto amor no ambiente, Alice veio rápido, sem anestesia, sem pique, com um perínio íntegro e Empelicada (dentro da bolsa, dizem que são bebês de sortes os que nascem assim). A médica e a enfermeira apenas amorteceram a saída dela até o chão. E lá ela ficou, todos olhando maravilhados para ela. Depois de uma respirada funda minha, do alívio e êxtase da sua saída eu perguntei ”posso pegar?” e a resposta que tive foi: “ela é sua, ninguém vai colocar a mão, quando quiser é só pegar” e foi aí que eu vivi o momento mais lindo da minha vida, o mundo parou e ficou eu, papai e Alice em uma abraço eterno e delicioso.
Do meu colo e peito ela só saiu para ir para o colo do pai que sem camisa teve seu momento pele a pele com ela, como a gente tanto desejava ❤️

Escutei muito que eu fui corajosa e louca de ter tido parto natural e parido sem anestesia.
Eu concordo que eu teria sido louca…

✨Se Eu tivesse que parir com aquela dor em posição ginecológica

✨Se em cada contração e dor eu não tivesse aprendido a respirar certo e não tivesse as mãos de fadas da Doula colocando exatamente onde aliviava a minha dor.

✨Se uma semana antes, quando tive os primeiros sinais, tivessem induzido o meu parto para ela nascer rápido. Ou tivessem me mandado para uma cesariana por alterações no Cardiotoco.

✨Se eu estivesse em um sala com luz de centro cirúrgico, com pessoas estranhas falando alto e tirando minha concentração.

✨Se eu tivesse escutado: “você sabe que não precisa sentir dor, né?” Ao invés de “dói mesmo, mas bebês saudáveis nascem de grandes dores”.

✨Se eu tivesse pessoas empurrando minha barriga e mandando eu fazer força, ao invés de uma equipe respeitando meu corpo e dizendo “pensa que cada contração é um abraço bem apertado no seu bb”❤️

✨Se eu não tivesse o @ppsimo“trabalhando” duro junto comigo.

✨Se tivessem passado a tesoura no meu perinio (o famoso pique) e ainda por cima no final tivesse escutado: “agora, vamos dar os pontos do papai” 👌.

✨Se eu tivesse uma médica mexendo o tempo todo em mim ao invés de ter uma médica e uma enfermeira que não fizeram intervenções e que a maior contribuição durante o parto foi aumentar o nível de amor e de ocitocina do ambiente.

✨Se eu não pudesse ter voz para dizer que ninguém me separa do meu bb e que ele não vai para o berçário hora nenhuma, não tomará banho na maternidade, e tantos outros procedimentos que estudamos e optamos por dizer NÃO!

✨Se a protagonista não fosse eu.

Ou seja, Eu não teria conseguido SE eu tivesse tido a mesma experiência que muitas mulheres têm de uma obstetrícia machista e suas violências.

E sabe de uma coisa? forte e guerreiras mesmo são as mulheres que parem sem ter o que eu tive. Porque parir lindamente em um ambiente que é só amor e respeito é muito fácil.

Eu e Alice seremos eternamente gratas ao papai que fez um lindo trabalho, a @natmcunha@gabigaviolidoula e ao
@coletivonascer , por tanta informação, respeito e amor por nossa família!

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