Parto Humanizado Hospitalar

Silvia Briani

Sentir a força dessas mulheres e ver de perto a potência dessa explosão de energia que é o momento do parto me fazem sentir a mais privilegiada das pessoas, me reabastece de amor e esperança na humanidade

Me formei enfermeira em 1998 e me especializei em obstetrícia pela Faculdade de Enfermagem do Albert Einstein em 1999. Sou mãe da Mariana de 5 anos.

A sementinha da humanização foi plantada em mim no primeiro hospital onde trabalhei, onde o chefe da obstetrícia era o Dr. Jorge Kuhn. Foi ele quem eu primeiro vi tratar as mulheres com respeito e amor em seus partos, dentro de um hospital, com muita verdade, amor e evidências científicas naquilo que tentava trazer pra nós ali. Consegui enxergar como as coisas óbvias e naturais eram vistas e tratadas com tanta complicação e excessos desnecessários em toda a minha formação como enfermeira obstetra. Ele foi a primeira pessoa a me falar sobre doula, e lembro dele indicando os encontros e eventos sobre parto e amamentação na época, e ele dizendo “prestem atenção numa doula, a Ana Cris Duarte” (tô prestando essa atenção até hoje!) Trabalhei quase a vida toda no SUS, em maternidades, em diferentes unidades obstétricas, incluindo pronto socorro e internação de alto risco, e também neonatologia, onde fiz parte do Método Canguru, aquela sementinha sempre esteve em mim, mas somente depois de ter a Mariana foi que realmente entendi intimamente a essência do que é, como é e porque é necessário e urgente a mudança de paradigmas nos cuidados e o respeito à mulher em todo esse período que permeia a maternidade.

Em 2016 renasci de muitas formas, incluindo a profissional. Estou ao lado das parteiras Mamatoto, onde fui aprender sobre o pré natal coletivo, e desde 2017 recebi o convite para me juntar a elas como parte da equipe. Presenciar a construção do empoderamento da mulher ao longo do seu pré-natal, ver os laços que se formam no modelo coletivo, e que se fortalecem no puerpério, ver como elas se transformam e realmente se apropriam de si mesmas e de seus coletivos como um todo é uma lição de vida diária. Sentir a força dessas mulheres e ver de perto a potência dessa explosão de energia que é o momento do parto me fazem sentir a mais privilegiada das pessoas, me reabastece de amor e esperança na humanidade

Fechar Menu
×
×

Carrinho