Parto Humanizado Hospitalar
Relato de Parto da Juliana Barbosa de Barros

Relato de Parto da Juliana Barbosa de Barros

Relato de parto – uma cesárea humanizada de emergência

Um parto não é feito de só um instante. É um conjunto de momentos, que no aspecto emocional fica difícil de dizer qual o começo e o fim…

Vejo minha filha no meu colo agora e continuo processando internamente o meu parto. Cada gesto que ela faz, cada careta, cada olhar… Eu não quero perder nada!! Estou completamente apaixonada por ela! Mas há 3 dias, horas antes de ela nascer, fiquei com tanto medo de perdê-la, que por um momento já tentei aceitar que não poderia ser tão difícil lidar com esta perda, já que ela nem tinha nascido ainda.

Tive alguns pródromos 3 dias antes, com cólicas bem doloridas, que até me assustaram e me deixaram com medo da dor do trabalho de parto tão planejado… Mas no dia em que minha filha nasceu, eu fui acordada de madrugada, não por contrações, mas por uma sensação de que algo molhado estava saindo lá embaixo. Levantei rapidamente, e quando abaixei a calça pra ver o que era, tinha muito líquido vermelho!!

Eu soube que rompeu a bolsa, mas eu sabia que não estava do jeito normal. Liguei rapidamente para a obstetriz da minha equipe, que confirmou a necessidade de ir rapidamente ao hospital.

Eu não chorei, não demonstrei pânico… Simplesmente fui agindo de modo racional, pois sabia que a pressa seria um elemento muito importante nas nossas vidas.

Quando, no hospital, a obstetra da nossa equipe ouviu o coração da minha filha com o aparelho, eu quase não acreditei. Eu achava que era tão grande a possibilidade de tê-la perdido, que em alguns momentos no caminho eu tentei iniciar uma elaboração de luto antes mesmo de existir uma notícia tão ruim.

Fizemos a cardiotocografia, que também estava normal. E o ultrassom não confirmou o descolamento de placenta a princípio. Mas não foi o suficiente para me tranquilizar… A equipe chegou a pensar conosco que talvez estivesse tudo bem, e que poderíamos esperar com monitorização, pra ver se entrávamos em trabalho de parto, caso os exames continuassem bons. Mas, em seguida, fui ao banheiro e constatei que continuava perdendo muito sangue, e com coágulos até.

A cardiotoco já não estava tão maravilhosa como na chegada, e não houve discussão, fomos logo para uma cesárea de emergência.

Eu já tinha achado que seria o necessário, quando vi o sangue em casa, até porque tinha saído também algo que acredito que era um pedaço de placenta. E, racionalmente, passar por uma cesariana era algo que estava “tranquilo” para mim no momento, pois era o que deveria ser feito…

Desde a entrada no hospital, eu me senti tão vulnerável… Estar no lugar de “paciente”, e ainda por cima com um quadro grave desses… Uma sensação muito desagradável…

Fomos para a sala cirúrgica…

A obstetra me perguntou, um pouco antes da anestesia: você não gostaria de ouvir música?

Uau

Eu não estava conectada com “o momento mágico do parto”, eu estava conectada com o medo, a apreensão… Mas ainda tinha a esperança de que tudo poderia acabar bem! E foi uma lembrança tão boa essa da música…

O anestesista pegou meu acesso venoso, explicando que estava pegando naquele local para que ficasse mais fácil para eu amamentar depois… Durante a aplicação da anestesia nas costas, além do meu marido, a obstetriz também segurou na minha mão.

Reduziram um pouco a luminosidade da sala, para ficar mais agradável.

Em pouquíssimo tempo, minha filha nasceu e deu para ouvir seu choro. Antes que eu processasse a informação, já estavam colocando ela no meu peito, com o cordão umbilical ainda conectado à placenta. E nos meus braços ela ficou, por cerca de uma hora, enquanto terminavam os procedimentos da cirurgia…

Foi incrível, e meu marido chorava muito de emoção!

Na hora do parto em si, eu mal me conectei com a “magia do momento”… Eu tinha ficado me sentindo vulnerável, e estranhando o fato de que cortariam o meu ventre… Na ocasião, me pareceu mais adequado agir de forma racional. 

Mas a lembrança que tenho deste momento, além do susto que tivemos, foi de que fui acolhida por uma equipe muito amorosa, que me tratou com o maior respeito do mundo em todos os momentos e fez meu parto ser especial. E eu já sabia que teria meu marido como meu melhor companheiro para a situação que ocorresse, e assim também o foi durante todo o processo. 

Só no dia seguinte consegui chorar litros, processando o medo que tive de perder minha filha. Consegui me conectar com minhas angústias vividas ao observar a diferença que era para eu levantar da cama com a dor da cesárea comparando com minha colega de quarto, que tinha feito parto normal. Revivi cada momento de dor e medo, podendo chorar muito e me realizei que não tive uma “agressão” no meu ventre. Tenho sim é uma “cicatriz de guerra”. E foi uma “guerra” regada e vencida com muito amor! 

 

Gratidão ao Coletivo Nascer! Gratidão à evolução da medicina! Gratidão ao amor de quem está perto (mesmo que não seja ao lado)! E gratidão à vida!

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